“Que queres que eu te faça?” E o
cego lhe respondeu: “Rabbuni, que eu recupere a vista!”
E Jesus lhe disse: “Vá, a tua fé te salvou”. E
imediatamente recuperou a vista e começou a segui-lo
pela estrada (vv. 51-52).
A fé de Bartimeu, que reconhece em Jesus o Messias
salvador, que se faz invocação, lhe obtém não somente a
cura física, mas o torna seu discípulo. Bartimeu começa
a seguir Jesus, mesmo se não sabe ainda aonde o
conduzirá. Ele compreendeu o essencial: o que importa é
permanecer com ele. O Mestre pede a cada homem que
procura a luz que faça a sua profissão de fé, e creia
nele que é a luz.
“Eu sou a luz do mundo, quem me segue
não caminhara nas trevas, mas terá a luz da vida” (Gv
8,12). O encontro com Cristo e a sua luz coloca o homem
numa situação delicada.
Bartimeu, antes estava sentado, agora
deve caminhar; antes tinha sua “profissão” que, bem ou
mal, lhe dava de comer, agora deve começar uma vida
completamente nova; antes tinha um lugar onde morar,
vivia entre pessoas conhecidas e amigas, agora deve
partir para uma aventura que se apresenta exigente e
arriscada.
Quem se aproxima de Cristo não deve
iludir-se de ir ao encontro de uma vida cômoda e sem
problemas. A experiência de Bartimeu ensina que é muito
árduo o caminho daquele que acolheu a luz; pois esta
obriga a rever hábitos, comportamentos, amizades; exige
que sejam dirigidos de modo radicalmente novo a vida, o
tempo, os bens.
No inicio desta Assembléia quis
fazer-me guiar desta pagina evangélica.
O protagonista é Bartimeu, cego: tem
olhos, mas não vê; mendigo: precisa de ajuda, não pode
salvar-se. Bartimeu hoje sou eu, somos nós membros desta
Assembléia, é o Instituto PIME.
“Nestes anos de grande dificuldade e
oportunidade para a missão,” diz a oração pela XIII
Assembléia Geral. Nestes anos ao interno da Igreja, dos
Institutos missionários, e também ao interno do nosso
Instituto se repete regularmente o interrogativo: O que
é a missão? Como fazer a missão hoje? A nível pessoal,
registramos sentimentos e idéias diversas, viemos de
tipos de formação e de experiências humanas, eclesiais e
missionárias diferentes, vimos e adotamos métodos
missionários contrastantes, a tentação do
protagonismo/individualismo... Fomos várias vezes
provocados pela pergunta: “Somos onde deveríamos estar,
e estamos fazendo aquilo que deveríamos fazer?”.
Existem, além disso, desafios externos que provêem do
despertar das religiões, que resultam frequentemente em
vários fundamentalismos, do progressivo secularismo, do
fenômeno da globalização, da imigração, da concentração
das massas de pobres nas megalópoles, das mudanças
sócio-políticas e eclesiais, etc. É natural, portanto, a
confusão, a desorientação, o desfalecimento, o senso de
impotência, com a conseqüente busca de defesa ou de
intolerância.
Vem Senhor Jesus, Precisamos de
luz!
Bartimeu não se resigna a sua
situação de cego e grita: “Filho de Davi, Jesus, tem
piedade de mim”. O cego chama por nome Jesus, que
significa “Javé salva”. Existe, porém quem procura
bloquear a sua súplica, mas Bartimeu não se entrega,
grita mais forte, pede ajuda a quem pode abrir-lhe os
olhos.
Bela esta imagem! Também entre os
nossos coirmãos existem aqueles que não querem incomodar
o Mestre, se acomodaram e resignaram às suas condições,
que julgam inútil toda reflexão e discussão sobre como
ser e fazer missão, que se satisfazem e levam a vida
normalmente sem preocupar-se.
Ao invés precisa reagir, enfrentar
com coragem as dificuldades, os desafios e ... chamar o
nome de Jesus.
“Jesus, Evangelho de Deus, foi
absolutamente o primeiro e o maior evangelizador. O foi
até o fim: até a perfeição e até ao sacrifício da sua
vida terrena (EN 7).
C 16: “Fundamento e modelo da nossa
vida apostólica é Cristo Evangelizador”...
A atividade missionária diz a RM,
cap. VIII, exige uma especifica espiritualidade:
“Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo: Viver o
mistério de Cristo “enviado”; Amar a Igreja e os homens
como lhes amou Jesus; o verdadeiro missionário é o
santo”.
“Não nos seduz certamente a
perspectiva ingênua que, de frente os grandes desafios
de nosso tempo, possa existir uma formula mágica. Não,
não uma formula nos salvará, mas uma Pessoa, e a certeza
que esta nos infunde: “Eu estou convosco” (NMI 29).
Senhor Jesus, livra-nos da nossa
incapacidade de ver e torna-nos fortes, audazes, capazes
de escolhas e de decisões responsáveis.
Jesus para e convida: “Chamem-no”. O
pobre grita e o Senhor lhe escuta!
Jesus se serve dos outros para chamar
o cego, como se serviu dos discípulos para distribuir os
Paes milagrosamente multiplicados (Mc 6,41). Com
coirmãos cansados e resignados, existem, porém outros
coirmãos atentos e prontos a entrar em jogo, a
empenhar-se, a arregaçar as mangas. Irmãos dos olhos
grandes e do coração aberto, porém discretos no modo de
ser e de fazer, prontos a escutar, a se responsabilizar
dos pesos e das dificuldades dos outros, disponíveis,
capazes de transmitir otimismo e esperança. Irmãos que
dizem ao irmão cansado, fraco e frágil: “Coragem!
Levanta-te! Te chama!” Coragem: onde está Jesus não
existe mais razão para ter medo (Mc 4,40); Levanta-te:
vamos, de pé; Te chama: isto é te quer; estas no seu
coração.
Obrigado, Senhor, pelo dom destes
irmãos!
Bartimeu responde com três gestos:
salta em pé, joga fora o manto, corre em direção àquele
que pode dar-lhe a vista. Dissemos que este
comportamento, estranho para um cego, subentende um
grande ensinamento.
O manto para um pobre era tudo. Com o
manto se cobria, sobre ele dormia, ao ponto que a lei
prescrevia que se o pobre tivesse dado em penhor o
manto, lhe deveria ser restituído antes do anoitecer:
“Deverás restituir-lhe o penhor antes do por d sol, para
que ele possa dormir com o seu manto e abençoar-te” (Dt
24,12).
Jogar fora o manto queria dizer
livrar-se de todas as seguranças e confiar só em Jesus.
Bartimeu joga o manto que simboliza a
sua vida de sofrimento e exclusão, sua velha identidade
por uma vida nova.
Saibamos abandonar nossos temores, os
pretextos, os preconceitos, as nossas mascaras, as
nossas tristezas, desilusões, garantias, comodidade para
repartir, para colocar-se na seqüela de Jesus, para
atingir o largo?
Senhor Jesus, livra-nos das
escravidões que nos impedem de decidir-nos por ti!
O queres que eu faça por ti? É a
pergunta que Jesus faz a cada um de nós, e à qual
devemos responder. Bartimeu, sem manto, estando diante
de Jesus, lhe suplica: “Rabbuni, que eu recupere a
vista!”. E a primeira coisa que ele verá, será a face de
Jesus.
Vá, tua fé te salvou: a fé é entrega
de si, é comunhão com Jesus a quem se si entrega.
Para Bartimeu não existe uma chamada
direta como com os outros discípulos e com Levi. Jesus
dizendo: Vá, deixa ao cego a liberdade de partir, sem
pedir nada em troca do beneficio que lhe foi concedido.
“E imediatamente recuperou a vista e
começou a segui-lo pela estrada”: de fato a luz que
agora vê lhe guia para seguir Jesus e a segui-lo pela
estrada que leva à Jerusalém.
Senhor Jesus, que eu recupere a
vista, que eu veja para que possa seguir-te sem temores
e reticências.
Pedimos-te por intercessão de Maria,
Mãe da Igreja e da humanidade, dos nossos mártires e
santos missionários que já contemplam a tua face. Amém.